Ao InfoMoney Entrevista, Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed, falou sobre os impactos do envelhecimento da população brasileira no setor, emagrecedores, judicialização e outras realidades do segmento
Os medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, representam um divisor de águas terapêutico e devem entrar na cobertura de planos de saúde em algum momento. Contudo, sem uma discussão séria sobre precificação, o impacto pode se transformar em mais um capítulo da judicialização que já onera o setor de saúde suplementar. Foi o que compartilhou Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed e da Faculdade Unimed, além de CEO da InvestCoop Management, gestora de recursos do grupo, e presidente do conselho administrativo do MultiCoop, fundo do pensão do mesmo sistema, uma conversa exclusiva com o InfoMoney Entrevista.
“Veio para ficar. Uma hora vai entrar na cobertura dos planos. Não tenho muita dúvida sobre isso. Mas a gente precisa discutir de maneira muito séria o custo de introdução de novos medicamentos no Brasil. Essa talvez seja a pauta mais importante que a sociedade brasileira precisa ter não só com as seguradoras, mas especialmente com a indústria farmacêutica”, disse Freitas, médico de formação e gestor do sistema de cooperativas que responde por 38% do mercado de saúde suplementar no Brasil.
Segundo o executivo, o fenômeno das canetas emagrecedoras ilustra um dilema mais amplo da saúde suplementar: o modelo de remuneração por procedimento (fee for service) induz ao excesso, a judicialização empurra custos para dentro do sistema e a regulação nem sempre acompanha a inovação farmacêutica.
“A grande questão é: como oferecer o necessário, nem mais nem menos? Porque o médico não ganha para te manter saudável. Ele ganha para fazer o procedimento. É um incentivo torto”, afirmou.
Questionado sobre os desafios que o setor tem pela frente, o executivo citou a transição demográfica, com pessoas vivendo mais e carregando doenças crônicas por décadas, que vai exigir uma mudança de paradigma na gestão da saúde.
Fonte: CQCS